Em Petrópolis (RJ), troque gaiolas por mudas. Mas não solte a ave

Dimas Marques
  • Dimas Marques

    Editor-chefe

    Formado em Jornalismo e Letras, ambos os cursos pela Universidade de São Paulo. Concluiu o curso de pós-graduação lato sensu “Meio Ambiente e Sociedade” na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo com uma monografia sobre o tráfico de fauna no Brasil. É mestre em Ciências pelo Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde pesquisou a cobertura do tráfico de animais silvestres por jornais de grande circulação brasileiros. Atua na imprensa desde 1991 e escreve sobre fauna silvestre desde 2001.

    Fauna News
06 de junho de 2014
“Para comemorar a Semana do Meio Ambiente, a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados (OAB) de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, lançou nesta segunda-feira (2) a campanha ‘Pássaro Livre’. Com o slogan “se você gosta de pássaros, quebre gaiolas e plante árvores”, a ideia é conscientizar a população sobre a prática de manter os pássaros presos. Além de prejudicar o meio ambinte, em alguns casos pode ser até crime. Para isso, a comissão vai dar mudas de árvores nativas da Mata Atlântica em troca de gaiolas de pássaros. O objetivo é sensibilizar as pessoas, incentivando a entrega voluntária das gaiolas.

Aves em cativeiro só devem ser soltas por especialistas

Foto: Wagner Morente

A iniciativa, que tem apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Petrópolis, partiu do presidente da comissão, Rogério Guimarães, ao observar o descaso da própria população e defensores de animais com algumas espécies indefesas.

(…) Até o dia 30 de junho, quem quiser participar deve entregar as gaiolas em um dos três postos de troca: na sede da OAB Petrópolis (Rua Marechal Deodoro nº 229, Centro); na sede da APA Petrópolis (Estrada União Indústria nº 9.722, Itaipava); e na sede da secretaria de Meio Ambiente de Petrópolis (Rua Sete de Abril nº 609, Centro). Em troca, as pessoas vão receber uma muda de árvore nativa com folheto explicativo de como plantar, cuidar e tratar a árvore.” – texto da matéria “Campanha estimula troca de gaiolas de pássaros por mudas de árvores”, publicada em 2 de junho de 2014 pelo portal G1

Iniciativa muito interessante, mas que tem de ser conduzida com um cuidado especial: alertar a população a não soltar as aves que estão em cativeiro, nas gaiolas.

As consequências de uma soltura sem critérios podem ser desastrosas, gerando desde a morte do animal até um desequilíbrio em algum ecossistema. Bicho apreendido tem de ser avaliado por especialistas (biólogos e veterinários). Esses profissionais podem identificar se o animal tem condição de voltar a se alimentar sozinho ou se ele está doente e corre o risco de levar agentes causadores de moléstias para um ambiente saudável.

A área de soltura também é avaliada, afinal o animal tem de viver em seu ecossistema de origem; em uma área com alimentação suficiente e uma população de sua espécie em um número que possa recebê-lo sem gerar uma superexploração de suas fontes de alimentos. Esses são apenas alguns pontos que são levados em consideração.

Além dos fatores técnicos, é preciso levar em conta a ação humana na região da soltura. O nível de devastação dos hábitats e o grau de proteção da região têm de ser avaliados. Afinal, não se deve soltar o bicho em uma área com a presença constante de caçadores ou traficantes de fauna.

Então, organizadores da campanha, atenção! Seria interessante divulgar que a entrega voluntária de qualquer animal silvestre mantido em cativeiro doméstico sem autorização (o que é um crime ambiental) garante a não punição da pessoa. Está no parágrafo 5º do artigo 24 do Decreto nº 6.154, de 2008:

“No caso de guarda de espécime silvestre, deve a autoridade competente deixar de aplicar as sanções previstas neste decreto, quando o agente espontaneamente entregar os animais ao órgão ambiental competente.”

Então, povo de Petrópolis, antes de trocar a gaiola por uma muda, entregue a ave silvestre para a PM Ambiental ou ao Ibama.

Soltura realizada pela Agência Estadual
de Meio Ambiente de Pernambuco
Foto: Divulgação CPRH

– Leia a matéria completa do portal G1

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Sobre o autor / Dimas Marques

Formado em Jornalismo e Letras, ambos os cursos pela Universidade de São Paulo. Concluiu o curso de pós-graduação lato sensu “Meio Ambiente e Sociedade” na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo com uma monografia sobre o tráfico de fauna no Brasil. É mestre em Ciências pelo Diversitas – Núcleo de Estudos das […]

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