Anilhas: taí algo que se mexer fede

Dimas Marques
  • Dimas Marques

    Editor-chefe

    Formado em Jornalismo e Letras, ambos os cursos pela Universidade de São Paulo. Concluiu o curso de pós-graduação lato sensu “Meio Ambiente e Sociedade” na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo com uma monografia sobre o tráfico de fauna no Brasil. É mestre em Ciências pelo Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde pesquisou a cobertura do tráfico de animais silvestres por jornais de grande circulação brasileiros. Atua na imprensa desde 1991 e escreve sobre fauna silvestre desde 2001.

    Fauna News
25 de janeiro de 2012
Em operações de combate ao tráfico de fauna do Ibama ou das polícias, às vezes, há o encontro anilhas (aqueles anéis de identificação que ficam nas pernas das aves) falsificadas. A intenção dos criminosos é “esquentar” o animal, isto é, fazer com que o bicho capturado na natureza seja considerado nascido em cativeiro. Mas esse artifício dos criminosos não é tão incomum como parece.

“Um criador de pássaros foi preso em Taboão da Serra pela Polícia Federal na última sexta-feira, dia 20, acusado de falsificar anilhas de identificação de pássaros com a sigla do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e por maus tratos aos animais.

Trinca-ferro com anilha apreendido em Taboão da Serra (SP)
Foto: Divulgação / Polícia Federal

A ação da Polícia Federal em parceria com o Ibama aconteceu devido a suspeitas da falsificação durante a última fiscalização feita pelo órgão ambientalista. A tática do criador era identificar com anilhas falsas animais ameaçados de extinção como nascidos em cativeiro e não em ambiente silvestre, como era a real origem dos pássaros.” – texto da matéria “Homem é preso por falsificar identificação de pássaros silvestres”, publicada em 24 de janeiro de 2012 pelo Portal O Taboanense

A prisão ocorrida nesse município da Região Metropolitana de São Paulo não deveria ser um fato tão incomum. Pelo contrário, deveria ser rotineiro. Afinal, não é de hoje que os fiscais do Ibama e as polícias sabem que anilhas são falsificadas e comercializadas no mercado negro de animais silvestres, principalmente em criadouros legalizados pelo Ibama e que são pouco fiscalizados.

No caso de Taboão da Serra, além do crime de “falsificação de selo público”, o criador também responderá por maus tratos.

“Foram apreendidas nove aves, um pintassilgo, três galos-da-campina, quatro trinca-ferros e um azulão que está ameaçado de extinção, todos os pássaros foram encaminhados ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras). Durante a atuação também foram identificados sinais de maus tratos aos animais e más condições de higiene.” – texto de O Taboanense

Em 31 de agosto de 2011, publiquei “359 vítimas do tráfico de animais”. Nesse post abordei um caso parecido, resultante de uma operação nos estados de São Paulo e Minas Grais que prendeu duas pessoas e apreendeu 358 aves e um filhote de jiboia.

Pássaro apreendido com anilha falsa em agosto de 2011
Foto: Divulgação / Polícia Federal

“As investigações tiveram início há alguns meses quando a PF teve conhecimento de que o grupo investigado estava capturando irregularmente grande quantidade de animais silvestres nas matas localizadas na região de Jales e outros municípios do estado de São Paulo. O objetivo do grupo era comercializar ilicitamente tais animais. Além disso, para conferir um aspecto de legalidade ao transporte, posse e comércio de pássaros, as quadrilhas falsificavam ou adulteravam as anilhas fornecidas pelo Ibama, o que configura o crime de falsificação de selo ou sinal público. (…)” – texto publicado no post “359 vítimas do tráfico de animais”

– Leia a matéria do Portal O Taboanense
– Leia a matéria de divulgação da Polícia Federal
– Releia “359 vítimas do tráfico de animais”, post publicado em 31 de agosto de 2011

Fauna News

Sobre o autor / Dimas Marques

Formado em Jornalismo e Letras, ambos os cursos pela Universidade de São Paulo. Concluiu o curso de pós-graduação lato sensu “Meio Ambiente e Sociedade” na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo com uma monografia sobre o tráfico de fauna no Brasil. É mestre em Ciências pelo Diversitas – Núcleo de Estudos das […]

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